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6.º Festival de Jazz de Viseu

QUE JAZZ É ESTE? É a sexta edição do Festival de Jazz de Viseu e a décima do Workshop de Jazz. Regozijem-se os deuses e os mortais, e os outros entre tais, pois partilhamos convosco a excitação de mais uma vez celebrar este encontro de música, cultura e pessoas, mergulhados prazerosamente no privilégio de testemunhar e balançar ao som destas bandas e músicos que em palco colocam a nú a sua alma.
Assim é verdade, o groove que se vive não pode deixar ninguém indiferente. Esta é provavelmente a melhor edição deste festival até à data, com a presença de inacreditáveis músicos nacionais e exclusivos músicos internacionais.
A energia do festival está concentrada no Parque Aquilino Ribeiro, mas não só. Com uma tendência cada vez mais acentuada na diversidade que é o jazz, um género onde muito cabe, como o rock, o afro-beat, o hip-hop, a música étnica, mas também na presença de outros estilos musicais, os vários palcos existentes acolhem indiferentemente as várias nacionalidades e demais características dos grupos. É de destacar a presença do rapper e saxofonista Soweto Kinch e ainda o baixista Etienne Mbappé, um nome cuja fusão dos ritmos dos Camarões com o jazz provoca espasmos involuntários no corpo. Omar Lye-Fook, Cacique’97, Richard Spaven, The Nada e Javier Subatin feat. João Paulo Esteves da Silva compõem ainda o cartaz do festival, entre outros.
Na continuação da cumplicidade com o Musiquim contamos com a presença de S. Pedro, Gonçalo, Francisco Sales e Mano a Mano. Fica também o nosso orgulhoso destaque para o concerto do Sócrates Bôrras trio feat. Carlos Bica, emocionante que é pelo encontro entre gerações que impulsiona.

Bruno Pinto

5.º Festival de Jazz de Viseu

Pela boca morre o peixe, claro! Daí a expressão “Que jazz é este?” ser o lema oficial do Festival de Jazz de Viseu. Porque no seu caminho e no dos seus promotores habita naturalmente um desconforto que repele o habitual, o conhecido fácil. Gostamos de apreciar coisas novas e misturar paralelos insolúveis. Nesta edição de 2017, a par de nomes e grupos internacionais exclusivos, criteriosamente escolhidos, o melhor do jazz português actual espraia-se pelos seis dias de festival numa equilibrada espiral musical que guarda também espaço para outros géneros. Presente continua a componente de formação que lhe deu origem, o Workshop de Jazz, a oferecer de novo aos músicos de Viseu a oportunidade de contactar com as práticas deste estilo. A participação e colaboração de e com artistas e músicos da zona acontece aqui anualmente numa perspectiva de continuidade, que ao longo destes cinco anos tem motivado o crescimento de projectos próprios e redes de colaboração e conhecimento entre entidades e indivíduos desta área. Numa zona onde o jazz e outras alternativas musicais e culturais de fundo constituem ainda o equivalente àquela neve que cai mas não pega, é com gosto que fazemos questão de nos “atravessarmos” no caminho das pessoas, procurando, para além do público que já é curioso por si, provocar e expor novos públicos ao contacto com outras realidades e teias culturais.

Que jazz é este?!

Bruno Pinto

4.º Festival de Jazz de Viseu

É no coração do Parque Aquilino Ribeiro o cerne da quarta edição do Festival de Jazz de Viseu, como já tem sido hábito. Nos fins de tarde e noites de terça a domingo destaque para excelentes e explosivos grupos nacionais e internacionais. À tarde decorrem projetos de índole variada que se espalham pela cidade. Em paralelo estende-se o mercado e ainda um “recreio”, com oficinas e uma exposição interativa

Com a realização deste evento a sua promotora intenta contribuir para a formação de novos públicos, dinamizando de forma especial a cidade e a região circundante através da programação de concertos únicos destacando-se a vinda de artistas internacionais que normalmente atuam exclusivamente em Viseu. Outra componente essencial que daqui decorre e beneficia é a oferta de formação profissional e especializada na área da música, o cruzamento de músicos locais com convidados nacionais e estrangeiros, e ainda as encomendas e projetos originais noutras disciplinas como o design, artes plásticas, informação e entretenimento.

O primeiro concerto internacional acontece no dia 21, e está a cargo da enérgica e comunicativa cantora Manuela Panizzo, natural de Itália, que se move pelos campos da soul, tendo lançado em 2014 o seu primeiro álbum em nome próprio “Don’t fall in love with me”. Tocou ao lado de nomes como Chaka Khan, John Legend ou Joss Stone, e trabalhou com outros como Vanessa Haynes ou Boy George. Surge aqui acompanhada e a convite do Coletivo Gira Sol Azul, grupo residente do festival.

O trompetista Quentin Collins traz-nos no dia 22 os seus Electrocution diretamente das terras além canal da Mancha, e com estes promete fazer esquecer as dívidas ao fisco por meio de sonoridades que bebem das principais correntes do jazz incorrendo em composições luminosas e cheias de balanço. Collins é um músico de caráter europeu, tendo trabalhado e tocado em estilos musicais diversos, tocando ao lado de e trabalhando com músicos como Craig David, Prince, Alicia Keys, Jean Toussaint ou Roy Hargrove.

Dia 23 apresenta-se o trio Preston Glasgow Lowe, músicos virtuosos que ao vivo debitam uma performance de energia rock conduzindo o público pelo seu vertiginoso álbum de estreia homónimo. Citando e traduzindo o The Evening Standard: “Pensa em Metallica com Mingus, ou Hendrix, Pastorius e o Animal dos Marretas num encontro de compinchas”.
No plano nacional só do melhor e do mais bem confecionado gourmet, mas com prato cheio. Teremos connosco The Rite of Trio apresentando “Getting all the evil from the piston collar!”. Eles vão incendiar tudo, num ritual exorcista que irá afastar as convenções como a palavra arriscar afasta os germes culturais do amónio.

No dia seguinte a cura para a apatia surge com Miguel Amado, exímio baixista de Lisboa, cujas composições emanam elegância e gosto apurado na mestria de fundir estilos, resultando em temas complexos como o é o bom vinho, onde a dinâmica e a inteligência musical são constantes, mercê também dos músicos de topo que habitualmente o acompanham no palco.
“Páginas” é o nome do álbum de estreia do Filipe Teixeira Trio – enganadora a classificação – já que nem Filipe, nem João Mortágua ou Acácio “Salero” Cardoso são virgens no que respeita à música e ao jazz em particular. Oriundos da grande urbe da música do norte onde as francesinhas são sempre boas, vão tocar certamente temas deste álbum onde Teixeira demonstra sólidas influências como compositor e cujo rigor é trespassado pela criatividade e domínio instrumental dos seus companheiros.

Por fim, André Carvalho Group encerra com chave de ouro esta festa, alumiando a pedra na noite com as cores da sua música de arranjos cuidados e motivos subversivamente felizes.
Ainda de mencionar é o viseense Coro Azul em absoluta abertura do festival, bem como a comemoração dos trinta anos do pioneiro Quinteto de Jazz de Viseu, composto por alguns dos melhores e mais conhecidos músicos desta cidade.

As concorridas jam session serão realizadas no bar Lugar do Capitão, com abertura a cargo dos grupos Gin Sónico e Alberto Rodrigues Trio.
No Parque Aquilino Ribeiro concertos de outras sonoridades completam ainda este cartaz de 2016, com os Birds Are Indie, Golden Slumbers e o duo Gileno & Tuniko Goulart.

Que jazz é este?!

Bruno Pinto

3.º Festival de Jazz de Viseu

“É jazz!” – diz um deles. “É rock!” – diz o amigo. Mantiveram-se calados um longo minuto… “É jazz, ouve a harmonia!”, “É rock, sente o ritmo!”. “O que é certo é que estão agora a improvisar…” – concordaram. Após discussão animada e de se interrogarem ainda se seria outra coisa qualquer, volveram apartados sem chegar a conclusão satisfatória. Uma pequenita que ali lanchava num banco de jardim com sua mãe e havia escutado a pendência atentamente comentou “Mãe, estes rapazes não sabem nada, então não percebem que isto é música?”. Esperta e perspicaz, a pequenita.

Depois de duas excelentes edições repletas de público, a edição deste ano apresenta um cardápio no sentido dos verbos e adjetivos que já o vêm definindo: divulgar a música de qualidade com o jazz como mote ideal; promover episódios de formação selecionada e perspetiva aberta; incentivar e investir em músicos e grupos da região apoiando a mostra do seu trabalho; envolver ativamente as comunidades mais e menos inusitadas; descentralização do festival criando trocas e oportunidades de trabalho com as freguesias circundantes; cimentar a dimensão internacional do Festival de Jazz de Viseu convidando além-fronteiras músicos e coletivos de topo e, acima de tudo, contribuir para a criatividade e troca de conhecimento. Como diz o músico português João Guimarães: “o óbvio enlouquece”.

Em 2015, o festival mantém o formato de concertos da anterior edição. Um Grande Palco, no Parque Aquilino Ribeiro, por onde passará o pianista Jason Rebello ao lado da notável voz de Joy Rose. O primeiro trabalhou e tocou durante vários anos ao lado de Sting e acompanha o guitarrista Jeff Beck, a segunda destaca-se também na colaboração com Sting e obra feita com os Incognito. Ainda de Inglaterra vem, a convite do Coletivo Gira Sol Azul, o trompetista londrino Freddie Gavita, músico residente do célebre Ronnie Scott’s Club, tido como um dos valores emergentes na presente cena musical britânica, trabalhando tanto em jazz como com nomes cimeiros da pop.

De França, o multi-instrumentista e incansável Christophe Cravero traz-nos o seu mais recente álbum Elegant Elephant em trio. Este pianista, que já tocou por todo o mundo ao lado de um dos grandes bateristas da história da música norte-americana, Billy Cobham, é um dotado compositor que constantemente passa de um instrumento para o outro nas suas criações, oferecendo-nos uma cascata de universos musicais.

O Palco After Hours, no Mercado 2 de Maio, mostra alguns dos melhores e mais importantes nomes da música nacional atual, quer na área do jazz, quer como colaboradores de músicos e grupos nacionais da pop, o rock ou o fado. A saber: Hitchpop (João Guimarães, Miguel Ramos, Marcos Cavaleiro) com o seu primeiro álbum na calha, Bruno Macedo Quarteto (Bruno M., Pedro Neves, Miguel Ângelo, Leandro Leonet) com o seu álbum de estreia “8 mm” e ainda Evyl (Luís Lapa, Yuri Daniel, Vicky) que nos brinda, ao vibe da música original do viseense Luís Lapa, com três dos mais experientes e prestigiados músicos do nosso país.

Destaque ainda para um concerto intimista com o duo local Azul Espiga no Museu Grão Vasco; a exposição-jogo, desenvolvida por Ana Seia, dedicada à antiga Orquestra Cine Jazz de Viseu, espalhada por nove espaços do centro histórico; música em movimento com os Chinfrim; a Rádio Rossio, com cinco locutores diferentes, emite ao vivo a partir da Praça da República; jam session noite dentro; DJ set com Os Piores DJs do Mundo; um concerto-baile com os Bruce Brothers; diversas e importantes ofertas de formação, e ainda a Viseu JukeBody, obra de arte musical e plástica de cariz itinerante realizada com comunidades locais e fruto da colaboração entre a música Ana Bento e a artista plástica portuense Dona Pata.

Bruno Pinto

2.º Festival de Jazz de Viseu

“Que jazz é este?” – disse a avózinha cuja pequena janela dava para o largo da festa. É a banda, estão a fazer o teste de som. Hoje, o baile vai estar a abarrotar, está calor – afirmou o neto. Pois, eu conheço este jazz, já o tinha ouvido antes – arrematou ela. Pergunta: o que sabe esta avózinha sobre o jazz? Nada, provavelmente. Exceto que é música e tem qualquer coisa a ver com dançar.

Este Festival é feito essencialmente de amores. Como o amor ao próximo, e a vontade de lhe mostrar quem somos, amor à terra onde trabalhamos e vivemos, e à música que nos eleva a alma e nos cataliza a eletricidade dos corpos. Dedicado às pessoas de cá e às que visitam a nossa casa.

O Festival de Jazz de Viseu ganha solidez com esta segunda edição, mantendo a variedade e o contraste presentes na anterior, mas criando e adicionando novas alíneas.

Entre uma dixie band na rua, um Jazz no Comboio, um concerto ao fim do dia e projetos mais alternativos em after-hours, há tempo de sublevar o corpo e alma aproveitando para degustar a culinária e a pastelaria local, visitar a cidade, apreciar o comércio tradicional ou beber um copo num dos inúmeros e concorridos bares da cidade.

Oficinas de música para famílias com os vários sabores do jazz e formação para músicos e bandas filarmónicas, ligam o festival a um todo que sai do estereótipo do palco centralizado e se espalha pela cidade a públicos de idades e interesses diferentes. Músicos nacionais e internacionais compõem a agenda quer de concertos quer ao nível da componente de formação.

Nesta edição, o Festival do Jazz de Viseu apresenta ao público 31 actividades, com a participação de 11 bandas e mais de uma centena de artistas. A organização da Gira Sol Azul tem o apoio do Município de Viseu.

Viseu Senhora do Jazz.

Bruno Pinto

1.º Festival de Jazz de Viseu

O primeiro, não o pioneiro.
Mas seguro…

Este Festival de Jazz de Viseu é o primeiro de nome; mas nem por isso é acontecimento inovador na cidade. De facto, produzido com a mesma assinatura, vai já na sua quinta edição o Workshop de Jazz – este ano realizado em simultâneo com o festival – que mobiliza músicos significativos e muitos jovens (e menos jovens…) viseenses. E, num passado muito próximo, os “fins-de-semana de jazz” integravam o programa Viseu Naturalmente, realizado pela respectiva Câmara Municipal.
Também aqui deram os primeiros passos hoje reconhecidos instrumentistas e, para além de episódicos (mas frequentes) concertos na cidade e na região, uma recente (mas já longa) co-produção Gira Sol Azul /Lugar do Capitão – as semanais Quintas ao Jazz – conquistou uma notável qualidade e quantidade de público entusiasta, regular, atento e crítico.
É, assim, que temos a certeza de realizar um acontecimento que tem âncora numa prática já consolidada e alargar o campo de ouvintes e espectadores de um género musical para (ou)ver, contribuindo para uma cidade que deve ser isso mesmo: um lugar de cidadania e liberdade, onde se pode escolher e optar entre tudo o que nos é mostrado. E, embora cometendo o que sabemos ser uma incoerência clínica, podemos dizer que se trata do parto de um adulto ou, no mínimo, de um adolescente robusto.
Uma só contrariedade: a ocorrência simultânea do Tom de Festa, aqui tão perto, em Tondela, produzido pela ACERT, nossa parceira de tantas realizações e cúmplice na marcha de uma luta cultural comum. Razões de calendário e logística impuseram esta indesejada coincidência; mas, mesmo assim, podemos construir um olhar positivo: o de que a oferta (logo, a opção) de manifestações culturais está a crescer. E, além de positivo, atlético: é que sempre se pode assistir a um espectáculo às 21h30 no Parque Aquilino Ribeiro e, na mesma noite, correr (não muito…) para se chegar a tempo de um concerto no Tom de Festa.
Afinal, esperando que este seja o primeiro de uma longa série, terminamos a apresentação do Festival com um breve
ATÉ JAZZ!

João Luís Oliva