Peixe Trio

1 Agosto, 2018 – 23h00
// Carmo’81

Concerto: Jazz.
Duração: 70 min. aprox.
Com: Pedro ‘Peixe’ Cardoso (guitarras), Eduardo Silva (contrabaixo/baixo acústico), José Marrucho (bateria)
Tag: Jazz.
Duration: 70 min. aprox.
With: Pedro ‘Peixe’ Cardoso (guitars), Eduardo Silva (bass), José Marrucho (drums)

POR
Quando se fala de “free jazz”, muitas vezes os puristas contrapõem a pergunta “free from what?” como se a definição fosse um ataque à linguagem, supondo que agrilhoaria os músicos a algo que como qualquer prisão, nada teria de positivo. Nesses momentos vêm-me sempre à cabeça várias respostas: Livre de grelhas harmónicas repetitivas, de “malhas” cliché, de esquemas de alternância entre solistas, de arranjos formatados e formações quase sempre idênticas. Livre de uma panóplia de regras que agora se ensinam nas universidades, consumando de uma vez por todas a eruditização dessa forma de música, que é na sua origem de raiz popular.
Interessa-me no Jazz, sobretudo a ideia da improvisação, mais do que o recriar de temas do cancioneiro americano, com todas as balizas que inevitavelmente viriam agarradas.
Não encontro no entanto, melhor palavra para definir o género musical que mais se aproxima deste trio. Agradeço a simplificação da tarefa à amplitude que a palavra ganhou, libertando-se de si própria graças às inúmeras ramificações que sustenta. É por isso honesto dizer que este é um trio de jazz, que parte de composições originais como pretexto para a improvisação, numa formação muito típica no universo jazzístico (guitarra, baixo e bateria), mas que pouco se rege pela sua linguagem rítmica, harmónica e melódica.
Eu, o Eduardo Silva (contrabaixo) e o José Marrucho (bateria) voltamos a estar juntos, depois da aventura dos Zelig, com a vontade de fazer música que sempre oleou a nossa amizade. É por isso um encontro feliz este que nos leva ao Festival de Jazz de Viseu. Vários anos depois da última viagem conjunta, partimos agora de composições novas e antigas e acabamos não sei bem onde. Talvez num sítio que possamos descrever com outra palavra que não “Jazz”. – Pedro “Peixe” Cardoso.

ENG
When it comes to free jazz, purists often counter the question “free from what?” as if the definition was an attack on language, supposing that it would chain the musicians to something that, like any prison, would have nothing positive. In those moments, several answers always come to mind: free from repetitive harmonic grids, from cliché “solos”, from alternation schemes between soloists, from formatted arrangements and almost always identical formations. Free from a bunch of rules that are now being taught at universities, consuming once and for all the erudition of this form of music, which has its origin in the popular root.
What is particularly interesting about jazz, is the idea of improvisation, rather than the recreation of songs from the American songbook, with all the inevitably intrinsic limitations.
However, I do not find a better word to define the musical genre that comes closest to this trio. I am grateful for the simplification of the task to the extent that the word has gained, freeing itself from the innumerable ramifications it sustains. Therefore, it is honest to say that this is a jazz trio, which starts from original compositions as a pretext for improvisation, in a very typical formation in the jazz universe (guitar, bass and drums) but that is governed by its rhythmic, harmonic and melodic language.
Eduardo Silva (bass guitar), José Marrucho (drums) and me are back together, after the Zelig adventure, with the desire to make music that always oiled our friendship. This is a happy meeting, this one that takes us to Viseu Jazz Festival. Several years after the last joint voyage, we now start from new and old compositions and we will end up not sure where. Perhaps in a place that we can describe with a word other than “Jazz.” – Pedro “Peixe” Cardoso”

PEDRO “PEIXE” CARDOSO

Porto, 1974.
Estudou Guitarra clássica no Conservatório de Música do Porto, guitarra Jazz na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) e pintura na Faculdade de Belas Artes do Porto (FBAUP).
Foi guitarrista da banda Ornatos Violeta, hoje considerada uma das mais importantes bandas portuguesas de sempre e que marcou de forma incontornável, a chamada “música moderna portuguesa”. Com os Ornatos editou os álbuns Cão! (1997) e O
Monstro Precisa de Amigos (1999).
Em 2002, após a separação dos Ornatos, formou a banda de rock Pluto e a banda de jazz DEP, editando em 2004 os álbuns “Bom Dia” e “esquece tudo o que aprendeste”. 2010 foi o ano da edição de Joyce Alive! com o grupo Zelig e mais tarde em 2012 de
Apneia, o seu primeiro álbum a solo. No ano de 2008 frequentou o 3º curso de formação de animadores musicais, promovido pelo serviço educativo da Casa da Música. No âmbito desse curso, criou a OGBE (Orquestra de Guitarras e Baixos Elétricos), projeto que ainda dirige e que conta com o apoio do serviço educativo da Casa da Música, com quem continua a colaborar regularmente quer como formador quer como músico. Desde então dirigiu inúmeros projetos na área da música como forma de inclusão e interacção entre comunidades.
Durante o seu percurso musical, colaborou com vários músicos e agrupamentos, tais como: Dead Combo, Drumming, Remix Ensemble, Carlos Bica, Maria João, Joana Sá, Adrien Utley, John Ventimiglia, Perico Sambeat e David Fonseca entre outros.
Como compositor para outros intérpretes, escreveu a peça “Três Histórias” (para guitarra elétrica e percussão) para o grupo Drumming e em parceria com a compositora Ângela da Ponte criou a peça “Despique” para três bandas filarmónicas.
Ao lado do Teatro Bruto e da encenadora Ana Luena, colaborou na criação do concerto encenado “Still Frank” e assinou a banda sonora das peças “Estocolmo” e “Comida” de Daniel Jonas, assim como de “O filho de mil homens” e “O amor dos infelizes” de Valter Hugo Mãe. Para cinema criou com o grupo Zelig a banda sonora de “O universo de Mya” de Miguel Clara Vasconcelos e o filme-concerto “Bucking Broadway” de John Ford, encomenda do festival de curtas metragens de Vila do Conde.
No ano de 2015 editou o seu segundo registo a solo “Motor” e criou a banda sonora da peça “É impossível viver”, com textos de Franz Kafka e encenação de Ana Luena. Já em 2016 assinou a banda sonora da peça “Onde o Frio se Demora”, de Ana Cristina Pereira com encenação de Luísa Pinto e criou o musical “O Mundo é Redondo” com texto de Regina Guimarães e encenação de Nuno Cardoso.
Entre 2017 e 2018 e colaborou com a coreógrafa Joana Providência nas criações “Vestígio” e “Rumor”. Presentemente prepara a edição de um álbum do projeto MIRAMAR (duo com o guitarrista Frankie Chavez.)

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